Entrar no coletivo passa por formação. Não é burocracia. É como garantimos que cada pessoa nova entenda o que é o PAE Lago Grande, por que a titulação é coletiva e o que está realmente em jogo quando alguém aparece oferecendo comprar um pedaço de terra.
As formações em direitos territoriais promovidas pela FASE Amazônia começaram antes mesmo do coletivo existir, em parceria com a FEAGLE e com o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Santarém. Foram elas que deram à juventude do PAE Lago Grande a base para entender e defender seus direitos, e foi dessa base que o coletivo se formou.
Hoje seguimos com essas formações como iniciativa nossa, preparando novos integrantes. A formação em direitos territoriais virou critério de participação: quem entra, se forma. É daí que vem boa parte da nossa autonomia.
Aprender a fotografar e a filmar mudou tanto a forma como o território é visto quanto a forma como ele se vê.
Pelo olhar fotográfico passamos a registrar nossas próprias histórias, vivências e desafios, em vez de esperar que alguém de fora viesse contá-las. E o mesmo equipamento que registra uma queimada ou o porto de uma madeireira também registra a festa de santo, o puxirum, a farinha na hora de torrar. Denúncia e anúncio, as duas coisas juntas.
É por isso que a formação em audiovisual virou ferramenta de luta e não só de comunicação: quem conta a própria história decide o que ela significa.
Comunicação, para nós, é defesa de território.
Formamos comunicadores e comunicadoras que hoje atuam em várias comunidades do PAE Lago Grande, e promovemos oficinas para formar novas lideranças. O compromisso é ecoar as demandas das comunidades com responsabilidade, garantindo que as vozes locais sejam ouvidas e respeitadas.
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